Vip Promotora chega a R$ 1 bilhão em consignado CLT e mira R$ 2,5 bi até dezembro — mas 81,6% das famílias brasileiras estão endividadas.
A Vip Promotora cruzou a marca de R$ 1 bilhão em empréstimos consignados CLT liberados e já anunciou onde quer chegar: R$ 2,5 bilhões em operações até o fim de 20261. O número importa para quem avalia uma franquia ou parceria no segmento de crédito — não como troféu, mas como termômetro de um mercado que opera sob pressão crescente dos dois lados do balcão.
O motor imediato do crescimento foi a incorporação da TEM Consignado, que integrou equipes, carteiras de clientes e processos operacionais, ampliando a presença da rede em diferentes regiões do país. Com ticket médio de R$ 2.251 por contrato e 173 mil famílias atendidas até agora, o consignado CLT se consolida como linha de crédito com desconto direto em folha — estrutura que, ao reduzir o risco de inadimplência em relação a modalidades sem garantia, oferece previsibilidade ao operador1. O segmento movimenta cerca de R$ 9,7 bilhões por mês no Brasil, segundo dados do Banco Central.
O desconto em folha reduz o risco de inadimplência em relação a modalidades sem garantia, mas não o elimina: demissão ou redução salarial do tomador transfere o risco para o operador. É justamente aí que o ambiente macroeconômico pesa. Em maio/2026, o percentual de famílias endividadas medido pelo PEIC da CNC chegou a 81,6%2 — alta pelo terceiro mês consecutivo. O endividamento das famílias equivalia a 49,82% da renda acumulada em 12 meses, em março/20263. Esses dois indicadores ajudam a explicar por que a demanda por consignado cresce: famílias com dívidas buscam crédito com juros menores para reorganizar o passivo. Mas também sinalizam que parte dos tomadores chega ao contrato já com a folga financeira reduzida.
Para quem considera entrar no segmento de crédito ao trabalhador, a faca tem dois gumes: o mesmo endividamento que alimenta a procura por consignado pode pressionar a qualidade da carteira ao longo do tempo. A expansão nacional que a Vip Promotora projeta para a segunda metade de 2026 tende a depender da qualidade da seleção de praças e da gestão de crédito em cada ponto de operação. A pergunta concreta que qualquer candidato precisa levar à rede: qual o percentual de inadimplência da carteira CLT nos últimos 12 meses e como o modelo de parceria trata esse risco operacional para quem opera na ponta?