Com 130 unidades e –10% no CMV, o Peça Rara Brechó aposta em IA para escalar moda circular.
O Peça Rara Brechó chegou à ABF Expo 2026 com uma novidade que vai além do produto: inteligência artificial aplicada à triagem de peças em consignação. A rede, que opera mais de 130 unidades no Brasil, fechou 2025 com crescimento de 25% no faturamento e redução de 10% no Custo de Mercadorias Vendidas [via Empreendedor · Peça Rara Brechó · 2025-2026]. O movimento posiciona a marca num ponto de inflexão: o brechó franqueado pode deixar de ser percebido como negócio informal e passar a operar com arquitetura tecnológica. Para quem avalia entrar nesse mercado, a pergunta que importa é outra — o que desse ganho já foi comprovado e o que ainda é promessa de escala?
A aposta tecnológica é concreta. A rede implantou visão computacional para automatizar etapas da avaliação de peças destinadas à consignação: a solução reduz o tempo de atendimento ao fornecedor e padroniza o pré-cadastro, etapas que em brechós tradicionais dependem de julgamento manual e treinamento intensivo. O resultado declarado, redução de CMV e ganho de rentabilidade para os franqueados em 2025, sustenta a tese de que tecnologia de triagem pode melhorar a margem operacional [via Empreendedor · Peça Rara Brechó · 2025]. O ponto em aberto é se esse desempenho veio das unidades mais maduras da rede ou se já se repete em unidades abertas recentemente — informação que pode ser obtida a partir da COF e do histórico detalhado de maturação da rede.
O contexto setorial favorece a narrativa. O franchising brasileiro encerrou 2025 com 202.444 unidades ativas e projeção de crescimento de 2% a 4% no número de redes para 2026 [ABF · 2025 e 2026]. Num mercado em expansão, redes que chegam com diferencial operacional comprovado tendem a ter vantagem na captação de novos franqueados. A moda circular tem argumentos adicionais: apelo à sustentabilidade, ticket de entrada potencialmente menor que o de redes de moda nova e modelo de abastecimento baseado em consignação — o que reduz o risco de estoque parado. A ABF Expo é o palco certo para a rede testar o interesse do mercado por esse formato.
Há, porém, um limite que a tecnologia não alcança. Moda circular depende de volume contínuo e qualidade consistente de peças fornecidas por terceiros — e esse abastecimento varia significativamente por praça. A IA otimiza a triagem do que chega, não garante o que chega. Em cidades com menor cultura de consignação ou com baixa densidade de consumidores dispostos a vender peças usadas, o gargalo não é operacional: é de oferta. Franqueados que avaliam praças fora dos grandes centros deveriam perguntar à rede qual é o volume médio de peças recebidas por unidade em cidades comparáveis à sua e como a franqueadora apoia o abastecimento nos primeiros meses de operação, informações que podem estar detalhadas na COF ou em documentos complementares da rede.
A meta de expansão para 2026 ainda não foi divulgada publicamente pela rede. Antes de assinar, o candidato a franqueado tem uma pergunta específica para levar à franqueadora: o desempenho de CMV e rentabilidade reportado em 2025 reflete o conjunto da rede ou o recorte das unidades mais antigas? A diferença entre essas duas respostas muda o cálculo de entrada.