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Internacional · Mercado Franquia

Litígio viral na Bricks & Minifigs expõe risco sistêmico das franquias

Coleção de US$ 200.000 desaparecida, vídeos virais e 300 unidades atingidas: o caso Bricks & Minifigs.

Redação Mercado Franquia·14 de jun. de 2026 · 15:10·3 min de leitura·Redação MF · com IA
Litígio viral na Bricks & Minifigs expõe risco sistêmico das franquias

Uma coleção de Lego Star Wars avaliada pela família proprietária em cerca de US$ 200.000, uma loja fechada no Oregon e uma série de vídeos no YouTube. Essa é a combinação que colocou a franquia americana Bricks & Minifigs no centro de um conflito judicial que, em poucas semanas, deixou de ser um problema local para se tornar uma crise de imagem em escala nacional — e um alerta prático para qualquer pessoa que esteja avaliando investir numa franquia [via Franchise Times · Franchise Times · 2026-06-12].

Em 2023, a unidade da rede em Keizer, Oregon, firmou um contrato de consignação com Bryan Mansell, cujo pai havia colecionado peças de Lego ao longo de décadas. A loja vendeu parte das peças no ano seguinte. Em novembro de 2024, a franqueadora retomou a operação da unidade, alegando inadimplência e mau desempenho do franqueado. O que aconteceu com a coleção remanescente virou objeto de disputa jurídica — e a franqueadora declarou não ser parte do contrato de consignação, firmado diretamente pelo ex-franqueado [via Franchise Times · Franchise Times · 2026-06-12].

O CEO Ammon McNeff foi direto: o franqueado em questão acumulou meses de contas não pagas à franqueadora, a fornecedores e ao locador, e optou por encerrar a operação quando surgiu a oportunidade de mudança para o exterior. Para a rede, a retomada da unidade seguia o protocolo padrão. O problema é que o protocolo não resolveu a situação do consignante — e a história encontrou audiência no YouTube antes de qualquer resolução judicial.

O efeito sobre os demais franqueados da rede foi imediato e involuntário. Franqueados ativos em outras das cerca de 300 unidades da Bricks & Minifigs passaram a responder por uma crise que não criaram. Nenhuma decisão própria os tornou parte do problema — a arquitetura da franquia, que compartilha marca, identidade visual e reputação, foi suficiente para isso. Quando a cobertura negativa viraliza, ela não faz distinção entre a unidade problemática e a que opera bem há anos.

Aqui está o contraponto que merece atenção: a posição jurídica da franqueadora pode ser defensável. Se o contrato de consignação é de responsabilidade exclusiva do ex-franqueado, e não da rede, a Bricks & Minifigs pode sair do litígio sem condenação direta. Responsabilidade legal e dano reputacional, porém, são coisas distintas. A marca já está associada ao caso em matérias e vídeos que não vão desaparecer com uma decisão judicial favorável.

Para quem avalia entrar numa franquia no Brasil, o episódio tem uma lição concreta. Antes de assinar um contrato, o histórico de litígios públicos da rede é uma variável que muitas análises acabam não examinando — mas que está acessível. Nos EUA, o FDD (Franchise Disclosure Document) exige que as redes divulguem processos em curso e encerrados nos últimos anos. No Brasil, a Circular de Oferta de Franquia (COF) e os documentos complementares da rede costumam indicar disputas relevantes, e uma consulta ao TJSP pode complementar o que a COF não detalha. Redes com histórico de conflitos judiciais recorrentes entre franqueados e franqueadora tendem a sinalizar um problema de governança, não uma sequência de casos isolados.

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